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25 de novembro de 2009

Comparações

Vasculhando os arquivos de imagem aqui no meu computador, encontrei imagens interessantes e comecei a comparar as fotos antigas e as mais atuais. A primeira comparação que escolhi é de 2 imagens da Praça dos Leões, uma da grande cheia de 1974 e outra da enchente de 2004.

Através dessas fotos eu pude comprovar que essa primeira enchente foi muito maior que a última. Reparem, no fundo da imagem da foto de 74, a altura do nível da água nas portas dos comércios e depois comparem com a foto de 2004. E se reparmos mais ainda, podemos ver na foto de 74 uma mancha escura nas paredes, acima do nível da água, o que significa que quando a foto foi tirada a água já havia recuado pelo menos uns 50 centímetros. Incrível.




Praça dos Leões 1974



Praça dos Leões 2004



A outra comparação escolhida é de 2 imagens da casa do maestro Álvaro Correia. Não sei bem a data da primeira foto, creio ser do final da década de 70 ou início de 1980 e a segunda é de 2009. O que notamos nessas fotos é o desenvolvimento dessa parte da cidade. A paisagem foi muito modificada. Lá no fundo aparece a cerâmica, e o antigo campo de futebol é substituído por um ginásio poliesportivo. A casa do maestro foi reformada e a quantidade de casas no entorno aumentou consideravelmente.

Pena que o progresso não seja vestido apenas de louros, pois com ele temos também a destruição. Reparem na imensa mancha escura ao lado da casa do sr. Álvaro, na foto preto e branco, é um pomar que se estendia até a margem do Rio Jaguaribe. Já na foto de 2009 o pomar tornou-se um enorme descampado, dando lugar ao que futuramente será o novo campo de futebol.




Casa do Maestro 70/80


Casa do Maestro 2009



O interessante dessas fotos em P&B é que mostram a simplicidade de vida do nosso povo. Na foto da enchente temos uma canoa passeando no meio das águas, como se nada houvesse acontecido e ao fundo, um velho Jeep, ilhado, como se esperasse as águas baixarem. Já na foto da casa do maestro, que na época mais parecia um sítio, as vacas pastam no mato ralo na entrada da casa e as roupas estavam estendidas na cerca de madeira, com certeza secando após serem lavadas sobre as pedras do Rio Jaguaribe.



Fotos: Praça dos Leões 1974 (Desconhecido); Praça dos Leões 2004 (Desconhecido); Casa do Maestro 70/80 (Desconhecido); Casa do Maestro 2009 (Djferson S. Araújo)

28 de abril de 2009

O Leal de maior bravura



Outro filho ilustre esquecido pela grande maioria dos jucaenses é esse moço da foto acima: João da Silva Leal, nascido no sítio Canto, em Jucás, a 10 de setembro de 1879. Para a grande maioria dos leitores essa é uma personalidade desconhecida, mas faço questão de compartilhar a história desse nobre jucaense com todos.

João da Silva Leal era filho de Manoel Pereira da Silva Costa Leal, conhecido por Né do Canto e de Delfina Carlota Pereira da Silva Leal. Sua bisavó, Joana Carlota Gonçalves da Costa Alencar, era sobrinha de Bárbara Pereira de Alencar, mais conhecida apenas como Bárbara de Alencar, heroína da revolução de 1817 no Ceará.

Iniciou seus estudos no Liceu do Ceará no ano de 1897 em Fortaleza, concluindo o curso secundário. Ingressou em 1898 na Escola Militar do Realengo no Rio de Janeiro, saindo Aspirante a Oficial em 1906.

A honradez e bravura de João da Silva Leal, já eram elogiadas desde seus tempos de tenente como destaca Edmar Morel no “A Revolta da Chibata”, livro que narra um episódio de grande repercussão nacional, a rebelião dos marujos da embarcação Satélite:

“...se não fosse a energia e a bravura dos comandantes João da Silva Leal, Francisco de Melo e Libânio da Cunha Matos que por felicidade de todos nós, foram os escolhidos para esta espinhosa missão, com toda certeza estaríamos todos mortos e o Satélite perdido”.

Em 1921 foi reformado no posto de Major por ter optado pelo Magistério Militar, sendo transferido para o Colégio Militar do Ceará. Em 1927 foi eleito Deputado à Assembléia Legislativa do Estado do Ceará.

Desempenhou importante papel na Revolução de 1930, como vemos no seguinte trecho do livro "Estirpe da Granja do Mirante" de Mário Leal, no momento em que o Major adere a revolução compadecido com a prisão do amigo Fernandes Távora por ordem do então governador do Ceará, Dr. Matos Peixoto:

"Revoltado com tamanha arbitrariedade, o então professor do Colégio Militar de Fortaleza, Major João da Silva Leal, toma as dores do amigo e passa a ser um dos mais destacados líderes da revolução, transformando a fazenda Potengy de propriedade de seu pai e situada no antigo município de São Mateus, como ponto estratégico e refúgio seguro dos revolucionários.”

Major João da Silva Leal reuniu destacados militares e civis, organizados em grupos de resistência, partiu da cidade de Souza, na Paraíba, e entrou em Lavras da Mangabeira, no Ceará, em outubro de 1930, fazendo com que o governador do Ceará, Dr. Matos Peixoto, abandonasse o governo no dia 8 do mesmo mês.

Assumiu a Secretaria da Fazenda e foi nomeado interventor pelo próprio Fernandes Távora, que renunciou ao cargo para que o amigo assumisse esse posto. Exerceu as funções de Interventor Federal Interino no período de 22 de junho a 22 de setembro de 1931.

Fundador e Membro do Diretório executivo do PSD – Partido Social Democrático, no Ceará. Pelo PSD foi eleito como Deputado Federal para a Assembléia Constituinte de 1934.

E, por Decreto de 26 de junho de 1951, o Presidente da República promoveu o Major reformado e professor João da Silva Leal ao posto de General de Brigada do Exército Brasileiro. Faleceu no Rio de Janeiro no dia 3 de janeiro de 1963.

Você agora deve estar pensando: “Ah! Então essa é a pessoa que dá nome à Rua Major Leal em Jucás”. Eu também pensei, mas nos enganamos em grupo amigos. A Rua Major Leal, que se estende dos fundos da Igreja de Nossa Senhora do Carmo até o Mercado Público, no centro da cidade, é uma homenagem ao seu tio José da Silva Pereira da Costa Leal, conhecido também por Major Leal. Porém, o general João da Silva Leal, o herói de nossa história, teve uma vida militar e política impressionante, com reconhecimento nacional. Não desejo depreciar a história de vida do Major Leal, mas creio que devamos homenagens também ao general Leal, pela sua bravura. E, particularmente, gostaria de estender o tributo aqui prestado ao general, à toda família Leal que teve forte participação na construção político-cultural do município de Jucás, como o Major Leal e o Cel. Mário Leal, deputado estadual eleito duas vezes.


Fontes: www.sefaz.ce.gov.br e "Estirpe da Granja do Mirante" de Mário Leal

22 de agosto de 2008

185 anos no papel e mais de 300 anos de história.

Parte 02
OS PRIMEIROS HABITANTES DOS INHAMUNS


Quando os colonizadores chegaram aos Inhamuns encontraram essas terras habitadas pelos índios jucás, cuja ocupação de terras sob seus domínios ficavam entre os atuais municípios de Jucás e Arneiroz.

Como forma de defenderem-se dos ataques de invasores, os índios construíram uma fortaleza no saco do Coronzó, conhecida como as Muralhas Rochosas, que fica ao lado da Serra Grande. Essa fortaleza servia também para demarcar o território indígena.

Na chapada da Serra Grande, os índios jucás cultivavam mandioca, com a qual faziam a farinha para sua alimentação; tinham também habilidades no preparo de amêndoas do faveleiro e bolo da substância retirada do caroço de mucunã. Nos anos escassos, os jucás alimentavam-se de misturas preparadas com raízes, como a da mandioca, coroatá e mucunã. No verão, além de se alimentarem da caça e da pesca, completavam sua alimentação com as frutas do umbuzeiro, encontrado com abundância ao longo do Rio Umbuzeiro.

Mucunã: planta nativa que servia de alimento para os Jucás.


Em defesa de suas terras, os índios jucás entraram em confronto com seus vizinhos, os índios crateús e os quixelôs, e travaram lutas com os colonizadores.
É importante ressaltar que o território tinha significado diferenciado para os povos indígenas e colonizadores. Para os nativos, além de ser meio de sobrevivência, o território constituía-se em um valor simbólico, através do qual se definia a identidade; enquanto que para os colonizadores a terra era sobretudo um meio de produção e exploração.
Os colonizadores "catequizaram" alguns índios, mas a grande maioria seguia em busca de novas terras. José de Alencar em seu livro "O Sertanejo" cita os índios jucás após serem expulsos dos Inhamuns pelos colonizadores, chegando ao sertão central do Ceará:
"...o sertão de Quixeramobim era infestado pelas correrias de uma valente nação indígena, que se fizera temida desde os Cratiús até o Jaguaribe. Era a nação Jucá. Seu nome, que em tupí significa matar, indicava a sanha com que exterminava os inimigos. Os primeiros povoadores a tinham expelido do Inhamuns, onde vivia à margem do rio que ainda conserva seu nome.
Depois de renhidos combates, os Jucás refugiaram-se nos Cratiús, de onde refazendo as perdas sofridas e aproveitando a experiência anterior, se lançaram de novo na ribeira do Jaguaribe, assolando as fazendas e povoados."
No capítulo seguinte o autor fala sobre as táticas de guerrilha da nação Jucá, quando retornam ao sertão central:

"De novo espalhou-se o terror pelos campos de Quixeramobim. Anhamum, o feroz chefe dos Jucás, voltara à frente de quinhentos arcos, e desta vez para assaltar a Oiticica e tirar a desforra.
Logo divulgou-se a notícia, o capitão-mór preparou-se para receber os selvagens, os quais não se fizeram esperar. Uma noite chegaram êles à margem do Sitiá e anunciaram-se pela sua formidável podema de guerra. No dia seguinte as casas da fazenda estavam cercadas.

Por muitos dias não fizeram os selvagens a menor demonstração hostil; sentia-se que êles estavam perto, mas não se mostravam a descoberto. Esperavam ocasião azada para investir, ou queriam obrigar os sitiados a uma sortida."


A nação Jucá amendrondava tanto colonizadores quanto outros nativos.



Fontes:
Antonia Gecina Moreira Mota e Yonara Mota de Assis Castro (Universitárias da Universidade Estadual do Ceará);
"O Sertanejo", José de Alencar.

1 de abril de 2008

185 anos no papel e mais de 300 anos de história.

Parte 01
A HISTÓRIA DO NOME "SÃO MATEUS"


Em outubro temos um aniversário muito especial para comemorar: Jucás, 185 anos políticos e mais de 300 anos de história.

Em comemoração à esta data tão especial, irei publicar postagens especiais sobre nossa história e nosso povo, tentando ser imparcial e coerente com os fatos.

Bom, Jucás não é a cidade mais antiga do Ceará, mas tem um bocado de verões nas costas. A cidade mais idosa do estado, que se tem conhecimento, é a cidade de Viçosa do Ceará, antiga Vila Real de Viçosa, então capital da província nos idos de 1647.

Ninguém sabe ao certo como se iniciou a história do devassamento das terras que atualmente compõem o município de São Mateus (antiga nomeação do município de Jucás). Na verdade, essa história está envolta em lendas.

Quem foi São Mateus?



Em primeiro lugar seu verdadeiro nome era Levi, tornou-se Mateus depois que recebeu o chamado de Cristo. Era um contabilista e tornou-se padroeiro desta profissão. Mateus foi um dos doze apóstolos de Cristo, e o primeiro dos quatro evangelistas. Antes de sua conversão era o mais rico e o mais inteligente de todos eles. O seu evangelho é considerado o mais completo e mais lindo. Foi assassinado em 69 d.C.

Segundo uns, o nome São Mateus foi escolhido pela aparição do santo no pequeno monte onde hoje assenta a Igreja Matriz de N. S. do Carmo. Humm, creio que essa seja a versão menos convincente por motivos pessoais, mas cada um deve ter sua opinião.

Segundo outros, o primeiro português que lá chegou, e que se chamava Mateus, deu ao lugar onde residiu seu nome, erigindo uma pequena capela no local em que atualmente está a Igreja Matriz, nela colocando uma imagem de São Mateus, que trazia consigo. Esta é uma idéia mais lógica e aceitável por alguns fatores: os portugueses gostavam e gostam dessa idéia de colocar o próprio nome em tudo (ruas, prédios, monumentos etc. - uma herança que recebemos de braços abertos), além da questão da religiosidade que era muito forte na época.

Ainda outros contam que houve em 1700, no local, um combate entre índios no dia de São Mateus - e daí o nome do local. Bem, essa versão também não me atrai muito. Simplesmente porque os índios não acreditavam em santo, muito menos no São Mateus. E se já existiam brancos católicos nessas terras, para registrar tal batalha não creio que colocariam o nome de uma batalha na qual nem participaram!

Segundo Raimundo Girão e Antônio Martins Filho, o primeiro aldeamento indígena formou-se em torno de uma pequena elevação do terreno à margem esquerda do rio Jaguaribe. Os primitivos habitantes eram uma tribo de índios pescadores, descendentes dos Quixelôs - numerosa nação de silvícolas que perlustrava os sertões em que se acham os atuais municípios de Iguatu, Acopiara e Jucás. Esses índios foram "submetidos à paz" em 1719, ano em que se nomeou para administrá-los temporariamente o coronel Gregório Martins Chaves.

Porém, o distrito com a denominação de São Mateus, foi criado por provisão de 07/12/1755, mais de 50 anos depois de suas primeiras histórias e lendas.

31 de outubro de 2007

Era pra ser, depois não era mais, mas foi!

É sabido que até 1951, Cariús, não passava de um distrito de Jucás. Mas e antes disso? Como se formou o distrito de Cariús?

Após a "desocupação" dos indígenas na região, começou-se um desenvolvimento na agricultura, vastas porções de terras algodoeiras, canavieiras e rizicultoras. Jucás, Iguatu, Icó e Acopiara eram grandes produtores.

Em 1920, o governo Epitácio Pessoa deliberou a construção de poços e de um enorme reservatório, com capacidade para um bilhão de metros cúbicos na região, que ficou conhecido como Reservatório Poço dos Paus, onde hoje é o município de Cariús. O açude teria capacidade para irrigar vastas terras de plantio na região.

Na montagem da infra-estrutura para essas obras foi construído um ramal ferroviário, um parque de manutenção, foram contruídas moradias funcionais e demais implementos correlatos. O ramal ferroviário de Poço dos Paus (depois, de Cariús), com duas estações apenas, e partindo da estação de Jaguaribe, destinado a facilitar as obras do tal açude, trouxe desenvolvimento a essa região ainda tão desabitada.




Estação de Carius, em 1957. Foto da Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, vol. XVI, IBGE, 1959

Tudo acontecia dentro do previsto quando surpreendentemente a região recebeu o golpe fatal do arquivamento do projeto da construção do açude em 1922, mesma época da inauguração do ramal ferroviário.

E agora o que fazer? Pois é, toda aquela gente, o comércio que já se estabelecia, toda a infra-estrutura feita para receber os funcionários, o ramal ferroviário destinado a abastecer o acampamento (até então), tudo estava "inutilizado" ou não tinha mais motivo para estar ali.

Poço dos Paus parecia estar condenado a não passar de uma zona abandonada, mas o que fez com que a localidade continuasse a se desenvolver e não se transformasse num vilarejo deserto foi a abertura do ramal ferroviário para o tráfego, mesmo sem a construção do açude. O ramal interligou a localidade, através da Rede de Viação Cearense (administradora do ramal até 1975, quando a RFFSA assume), à cidades do Ceará e do Rio grande do Norte, o que acarretou num pequeno mas suficiente desenvolvimento da localidade, para tornar-se distrito de Jucás e depois município de Cariús.

Em 1976, ainda havia trens partindo de Iguatu para Cariús; em 1978 eles não são mais citados. O ramal somente foi oficialmente suprimido no dia 10/01/1994, mas já não funcionava havia anos.


Fontes: Revista Ilustração Brasileira, 1922; Site www.ceara.com.br; Revista Ferroviária, 08/2000; Guias Levi, 1932-1983; Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, vol. XVI, IBGE, 1959; Guia Geral das Estradas de Ferro do Brasil, 1960.

3 de setembro de 2007

Colocando cada um em seu lugar.

Desde que me entendo por gente escuto esse mito de que um dia o município de Iguatu foi um distrito de Jucás. Mas até onde este mito tem fundamento?

Pesquisando um pouco ficou fácil desvendar esse mistério. Em 1755, o povoado onde hoje é o território de Jucás é elevado a categoria de distrito e transformando-se na Vila de São Mateus em 1823. Infelizmente, em 1851, a sede da Vila de São Mateus foi transferida para Saboeiro, mas rapidamente recuperamos o título de Vila e ainda anexamos Saboeiro como distrito. Em 1933, São Mateus, já município, chega a possuir 8 distritos: São Mateus (sede), Bebedouro, Cariús, Maurícia, Poço do Mato (Caipu), Saboeiro, Santo Antônio e Canafístula. Que foram desmembrados nos anos seguintes.

Mas e Iguatu?




Pois é amigos, Iguatu nunca teve seu território subordinado ao município de Jucás, na verdade, o distrito de Telha (Iguatu) fazia parte do município do Icó e foi desmembrado pela Lei nº 553 , de 27 de novembro de 1851, sendo elevado a categoria de Vila e à categoria de cidade somente em 21 de agosto 1874.

Bem, o certo é que Iguatu nunca foi distrito de Jucás, mas podemos fazer esta afirmação, com toda a certeza, para as cidades de Saboeiro e Cariús, sem medo de estar mitificando uma história.

31 de agosto de 2007

"Ôs caba bruto" também é cultura!




Talvez encontremos aqui a resposta para o porquê desta repetida frase, sempre mencionada ao povo jucaense.

Jucás é o nome de uma tribo indígena que habitou a região dos Inhamuns no Ceará até o século XIX. Eram índios aguerridos. Mas com as missões que nortearam o Brasil, em 1727, os Jucás, juntamente com os índios Quixelôs, Quixerariús, Cariús e Candandus constituíram a Aldeia da Telha.

Mas em 1743, segundo Carlos Studart Filho*, "os Jucás, residentes na Telha, instigados pelos Feitosas, abandonaram em grande número a sua missão, retornando, com mulheres e filhos, à vida erradia e vagabunda." Começa então, a partir deste acontecimento a formação da personalidade do povo jucaense.

Outras missões foram instauradas, com intenção de conter os Jucás e outras tribos que saqueavam gado na região. Felizmente, os índios Jucás sempre foram regidos pela sua própria natureza e eram indiferentes a qualquer tipo de controle ou manipulação. Como no episódio da Aldeia do Brejo, antiga Missão do Miranda, hoje Crato, que foi habitada pelos Jucás e Cariús. "Pouco tempo os Jucás aí permaneceram. Movidos por natural tendência para a vida nômade, quase todos fugiram para as matas, onde passaram a viver em completo estado de barbárie." (STUDART, 1963, p.210-211) .

E mesmo quando volvidos à missão antes abandonada por eles, os Jucás, viam no furto de gados e nos assaltos à moradores das adjacências uma forma de protesto, e assim faziam.

Essa maneira de se viver, com certeza contribuiu para a formação da personalidade jucaense, sua força de vontade e persistência, são características marcantes do nosso povo. Então ser "bruto", no sentido de áspero, robusto e "curto e grosso", não é uma qualidade que o jucaense utiliza para se destacar dos demais, mas sim, uma característica genética, corre em nossas veias o sangue dos índios Jucás, por isso os "caba" dessa terra são todos "brutos".



*STUDART Filho, Carlos. “Os Aborígenes do Ceará, 2ª parte” In, Revista do Instituto do Ceará, Vol. 81. Tomo LXXVII Ano LXXVII, Fortaleza, 1963 p.210-211