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17 de abril de 2015
8 de setembro de 2009
"Patativa de Jucás"
Neste último feriado de 7 de setembro, tive a felicidade de conhecer um pouco melhor o poeta Ernando Cavalcante, um homem simples, de uma simpatia fora do comum, marceneiro de profissão e poeta dos Inhamuns por dom divino. Já conhecia um pouco suas obras, mas na verdade precisava dessa conversa com o poeta para precisar melhor quão valorosa é sua obra para a história do nosso povo.

O Sr. Ernando nasceu no Juazeiro do Araçá, uma localidade distante 7km da sede do município de Jucás, e como ele mesmo diz “Sou um homem que saiu do Araçá e hoje estou na internet” referindo-se ao seu perfil no site de relacionamentos Orkut e das postagens do Blog de Jucás (anteriores, presente e as futuras). Das letras, o aprendizado que teve foi somente o da cartilha, porém, o Sr. Ernando possui uma sensibilidade incrível para fazer pesquisas e transformar o cotidiano em poesia. Dentre os seus livros publicados, posso citar Canteiro de Rima, uma coletânea de poesias com temas que vão do humanitário, passando pelo sertanejo e até mesmo autobiográfico; Origem de São Mateus e Jucás em Poesia que é uma pesquisa aprofundada sobre as origens de nosso povo e nossa terra, um trabalho magnífico que deveria estar na cabeceira de todo jucaense; além do livreto A lenda do bicho do rio, publicação já comentada em outra postagem, que faz renascer no imaginário dos jucaenses essa lenda que andava adormecida.
Aos 79 anos, e apesar das mãos trêmulas e da memória que às vezes o faz engolir alguns versos, Sr. Ernando ainda escreve motes, poesias e galopadas com uma facilidade admirável. A comparação com o Patativa do Assaré é inevitável. Tanto na história de vida, como nas poesias de caráter único, o “Patativa de Jucás” se assemelha bastante ao poeta sertanejo do Assaré, que é um eterno símbolo nordestino.
O “Patativa de Jucás” me brindou com uma conversa descontraída, com direito a declamações de poemas, leituras de materiais ainda não publicados, me mostrou seus achados arqueológicos: o Coração de pedra e um pedaço de um provável pote indígena, e ainda me presenteou com o livro A origem de São Mateus e Jucás em Poesia, com dedicatória e tudo mais.
Dentre as poesias declamadas, resolvi postar uma que achei fantástica. Reproduzida aqui fielmente, tal como está no livro Canteiro de Rima:
CURURU CHUPANDO ENGANO
COMENTÁRIO: Um dia cheguei da roça e estava o comentário, um menino estava com um engano, vinha chegando um cururu, o menino teve medo e soltou o engano, o cururu apanhou e começou a chupar.
Eu achei interessante
Foi passar um cururu
Que além de andar nu
Que ser um pouco importante
Vinha saltando no plano
Ele agarrou o engano
E começou a chupar
Salete vinha chegando
Viu o cururu chupando
Começou a gargalhar
Ele tem garganta boa
Quando canta faz um papo
Se tem um nome de sapo
Gosta muito de lagoa
Com a chuva grossa ou garoa
Gosta muito do molhado
Ele é acostumado
A cantar no fim do ano
Veio pra chupar engano
Mas ele foi enganado
Ele vinha caminhando
Levantou a vista e viu
Quando o engano caiu
Ele foi se aproximando
O menino se afastando
Encostou-se num topete
O cururu pintando o sete
Começou a passear
Mas não pode se livrar
Do cassete de Salete
Ela deu uma paulada
Ele soltou o engano
Ela apanhou com um pano
E disse ou coisa danada
O cururu encolhido
Já um pouco esmorecido
Ergueu-se ficou corcundo
Estirou a língua preta
Cururu chupar chupeta
Isto é o fim do mundo
Isto foi segunda-feira
Esta sena apalhaçada
E o povo na calçada
Gostou da brincadeira
O cururu foi melhorando
Saiu se arrastando
Deitou-se em cima do pano
Com pouco tempo ele olhou
Abriu a boca e gritou
Nunca mais que eu chupo engano
Infelizmente, hoje o Sr. Ernando é desestimulado pela falta de incentivo, de patrocinadores e da população em geral, que não presta o devido reconhecimento a cultura popular, a poesia e ao poeta. O Blog de Jucás se sente no dever de colaborar com divulgação de nossa cultura, dessa forma, em breve, o Blog terá um espaço fixo para disponibilizar a venda dos livros do “Patativa de Jucás”, e a melhor maneira de incentivar um artista é adquirindo sua obra, conto com a ajuda de vocês.
13 de agosto de 2009
O bicho do rio por um jucaense
Em setembro de 2007, publiquei o post "O bicho do rio está imortalizado", falando da publicação do livro O bicho do rio de Almir Mota, escritor saboeirense, e na ocasião fiz uma crítica aos jucaenses que estavam deixando essa lenda passar desapercebida pela nossa história. Pois bem, em 2008, o sr. Ernando Cavalcante, poeta jucaense, lança o livro A lenda do bicho do rio e me deixa muito feliz. O sr. Ernando é uma personalidade jucaense que ainda terá seu merecido destaque no Blog de Jucás, mas hoje falaremos sobre seu livro e a lenda do bicho do rio.
A lenda do bicho do rio, é um livro em versos rimados, muito bem estruturados e contínuos. Um enorme poema de 22 páginas que narra o nascimento da lenda, onde uma virgem engravida e resolve fazer um aborto no 7° mês de gravidez às margens do Jaguaribe, numa região conhecida como Farinha, onde essa criança viria a se tornar o bicho do rio. Passando por relatos interessantíssimos, como o ilário episódio em que Bastinho, atravessando o rio, viu uma cabeça de bicho se aproximando, assustado com a lenda, tratou logo de cravar a faca no bicho, só depois reparou que havia matado um cachorro, "Matei o melhor cachorro de caçada de tatu".
"Louro onde está o bicho?
O bicho é um desmantelo.
Já dei três tiros nele,
levanta um tufo de pêlo.
Ele tem orelhas grandes,
tem um manto de cabelo,
Tem os olhos salientes,
são duas tochas de fogo.
As orelhas largas e compridas.
Só sendo arte do Diogo,
Dedé entre na canoa,
vamos enfrentar o jogo."
E assim começou a se desenhar a imagem do bicho do rio. Desde sua primeira aparição no livro, que consta de 1914, até os relatos atuais, o bicho vai ganhando casco, calda, escamas, dentes afiados, enfim, todos que tiveram esse terrível encontro com a fera, contribuem com uma descrição para o retrato falado desse ser, mitológico ou não, que foi o terror das águas jucaenes por quase um século.
"Porém o Chico Guedes
um dia foi se banhar
aqui no poço Cerâmica.
Sentiu o bicho puxar,
ele botou muita força
vendo a hora se acabar.
Ele disse acuda-me,
não estou aguentando.
Foram buscar uma corda
e foram logo amarrando.
Foram cinco homens de força,
eles ficaram puxando."
Dentre muitos outros relatos. É um livro simples mas muito interessante por narrar desde o surgimento do bicho do rio até suas últimas aparições em Jucás. Parabéns sr. Ernando por essa obra que engrandece a cultura e o folclore jucaense e da região dos Inhamuns.
A LENDA DO BICHO DO RIO
Autor: Ernando Cavalcante de Oliveira
Data da edição: 2008
Impresso por: Gráfica Jucás
A lenda do bicho do rio, é um livro em versos rimados, muito bem estruturados e contínuos. Um enorme poema de 22 páginas que narra o nascimento da lenda, onde uma virgem engravida e resolve fazer um aborto no 7° mês de gravidez às margens do Jaguaribe, numa região conhecida como Farinha, onde essa criança viria a se tornar o bicho do rio. Passando por relatos interessantíssimos, como o ilário episódio em que Bastinho, atravessando o rio, viu uma cabeça de bicho se aproximando, assustado com a lenda, tratou logo de cravar a faca no bicho, só depois reparou que havia matado um cachorro, "Matei o melhor cachorro de caçada de tatu".
"Louro onde está o bicho?
O bicho é um desmantelo.
Já dei três tiros nele,
levanta um tufo de pêlo.
Ele tem orelhas grandes,
tem um manto de cabelo,
Tem os olhos salientes,
são duas tochas de fogo.
As orelhas largas e compridas.
Só sendo arte do Diogo,
Dedé entre na canoa,
vamos enfrentar o jogo."
E assim começou a se desenhar a imagem do bicho do rio. Desde sua primeira aparição no livro, que consta de 1914, até os relatos atuais, o bicho vai ganhando casco, calda, escamas, dentes afiados, enfim, todos que tiveram esse terrível encontro com a fera, contribuem com uma descrição para o retrato falado desse ser, mitológico ou não, que foi o terror das águas jucaenes por quase um século.
"Porém o Chico Guedes
um dia foi se banhar
aqui no poço Cerâmica.
Sentiu o bicho puxar,
ele botou muita força
vendo a hora se acabar.
Ele disse acuda-me,
não estou aguentando.
Foram buscar uma corda
e foram logo amarrando.
Foram cinco homens de força,
eles ficaram puxando."
Dentre muitos outros relatos. É um livro simples mas muito interessante por narrar desde o surgimento do bicho do rio até suas últimas aparições em Jucás. Parabéns sr. Ernando por essa obra que engrandece a cultura e o folclore jucaense e da região dos Inhamuns.
A LENDA DO BICHO DO RIO
Autor: Ernando Cavalcante de Oliveira
Data da edição: 2008
Impresso por: Gráfica Jucás
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